Os Princípios do Contentamento

Recentemente fui introduzido ao pensamento dos estóicos, filósofos greco-romanos do início da nossa era com uma filosofia de essência socrática do meu ponto de vista e que tinham coisas muito interessantes a dizer sobre a felicidade (ou mais apropriadamente o contentamento), um estado segundo eles desejável e atingível, em que consistia e como obtê-la. Duas premissas fundamentais podem ser retiradas dos seus ensinamentos:

1 – não são as coisas, pessoas ou acontecimentos externos que nos fazem sofrer em si mesmos, mas a nossa interpretação sobre elas;

2 – há coisas que podemos controlar e coisas que não podemos controlar. Só nos devemos preocupar com aquilo que podemos controlar, tudo o resto não é da nossa conta.

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A Raíz do Sofrimento

Se investigarmos bem, a raíz do sofrimento estará sempre numa ideia simples subjacente: as coisas TÊM QUE ser de uma certa maneira e não o são para a pessoa que as vê. Todas as emoções negativas – raiva, frustração, tristeza, etc. – advêm na base desta ideia: as coisas deveriam ser de outra forma que não são. E que podemos fazer nós para mudá-las?

Faz lembrar a birra de um menino mimado que quer que algo seja como ele quer, mesmo sabendo que não está no seu poder decidir. É loucura. Sábio e verdadeiramente contente é aquele que aceita tudo como é, pois sabe que a única coisa que está no seu poder decidir e mudar é a forma como aceita ou não a sua interpretação das coisas, e que sabe distinguir aquilo que está no seu poder mudar (a forma como vê as coisas), daquilo que não está (a forma como as coisas são).

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Em Relação…

hold-hands_origNão há dúvida de que vivemos numa sociedade individualista, uma sociedade que cultiva o indivíduo, o eu, onde sermos o mais auto-suficientes e independentes possível é considerado o ideal. “Eu não preciso de ninguém!” é dito com orgulho, “Eu estou bem sozinho!”. Sem dúvida que “mais vale só do que mal acompanhado” mas o mais profundo do nosso ser precisa de relação, precisa de se sentir conectado. Isto é absolutamente vital em nós.

O meu trabalho deu-me mais uma prova de que de facto juntos conseguimos muito mais. Os métodos que uso provam-se muito eficazes no alívio do sofrimento emocional e físico alheio mas, sempre que desenvolvi os mesmos sintomas em mim (por exemplo uma dor ou tensão muscular) tornam-se muitas vezes inúteis para aliviar o meu sofrimento. O mesmo sintoma noutra pessoa pode ser neutralizado geralmente facilmente e por vezes em segundos por um terapeuta, mas ele próprio se sente impotente de o fazer a si mesmo, mesmo que esses sintomas sejam os mesmos!

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Sensibilidade

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20% da população mundial é altamente sensível. Não é uma doença nem uma disfunção – é uma característica altamente benéfica para a sociedade, apesar de ser negligenciada, incompreendida e muitas vezes mal tratada na nossa cultura (noutras culturas é reverenciada).

Um documentário sobre a pessoa sensível em relação, pela psicoterapeuta Elaine Aron, uma especialista no assunto (aconselho os livros dela a quem quiser saber mais):
http://hsperson.com/sensitive-and-in-love/

Acordar…

Já alguma vez reparou que, no momento de acordar de um sono, só por alguns ínfimos segundos, a ideia de “eu” ainda não existe? Estamos despertos mas “eu” ainda não existe. Só depois os pensamentos, como um download repentino num computador, aceleram por nós fora e inundam a nossa consciência, e só aí nos apercebemos de que sou “eu”, de todas as coisas que tenho que fazer, de todos os problemas que tenho, etc. Antes disso nada disso existia. Só existia Ser, o Puro Ser, Ilimitado, Uno e Absolutamento Perfeito. Isso é realmente o que de facto existe.

Será que é mesmo assim como estou a pensar?!

inquiryExistem muitas e diversificadas formas de interagir com o corpo-mente (nosso ou de outra pessoa). Podemos usar métodos mentais, informacionais ou bioenergéticos. Podemos meditar, relaxar, correr, saltar, rir, brincar, desanuviar ou detrairmo-nos. Podemos usar o corpo para influenciar a mente (como trabalharmos a nossa postura ou expressão corporal) ou usar a mente para influenciar o corpo (como usarmos a nossa imaginação ou o poder da sugestão). Podemos fazer mil uma coisas, mas um dos métodos que mais gosto é a simples mas profunda identificação e disputa de crenças irracionais. São estas que constituem a base verdadeira para o nosso sofrimento, e este método vai de forma elegante e muito natural até essa mesma base.

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Não é só para doenças, mas também para melhorar performances

der-com-taca_origFoto KAI PFAFFENBACH/REUTERS

Quando vi a noticia de que Éder dedicou o golo da vitória da Selecção Portuguesa na final do Euro 2016 à sua mental coach (“treinadora mental”) Susana Torres, relembrei a importância do treino mental e do ultrapassarmos os nossos obstáculos  internos para melhorarmos significativamente a nossa performance.

A maioria dos meus clientes vêem até mim porque estão a sofrer, ora com problemas emocionais ou com sintomas físicos. Não há dúvida que as técnicas que uso são extremamente eficazes no alívio desses sofrimentos mas há um aspecto deste trabalho que geralmente é negligenciado, e é uma pena – a sua importância no aumento da performance pessoal.

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A “Estupidez” dos Animais

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(imagem: Francis C. Franklin)

Você sabia que um pássaro macho pode cortejar uma fêmea falsa e estática da mesma espécie (um boneco)? Que ele pode ainda atacar ferozmente um punhado de penas de um macho inimigo sem qualquer inimigo estar por perto, mas não atacar uma réplica do inimigo se este não tiver essas penas específicas? Sabia ainda que este pássaro pode ser enganado a aceitar uma espécie totalmente estranha no seu ninho (um cuco) e alimentá-lo como se fosse seu próprio filho? 

Sim, os animais fazem isto e muito mais. Eles respondem a programas internos – quando eu vejo/ouço isto -> faço aquilo. Certamente nós os seres humanos somos mais inteligentes … ou seremos?…


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