Nem sei por onde começar…

É um pouco estranho isto: tenho tanta coisa para dizer, gosto de escrever e de partilhar, e no entanto ainda não comecei a sério. Parece que tenho medo, fujo disso. Porquê? Não sei bem, mas o “programa” na minha cabeça diz algo do género: “não vale a pena, ninguém vai entender”, ou “ainda vai ser pior falar”. E assim calamo-nos, por medo, como sempre.

Hoje decidi desafiar um pouco isto. Tem que se começar por algum lado, mais vale começar já por aqui. Porque li sobre como realmente estamos sempre a fugir daquilo que nos causa dor, que é desconfortável, e assim procrastinamos esse “algo” “até estarmos preparados”, e nunca estamos realmente preparados. Aprendemos desde cedo (estamos até culturalmente condicionados para isso) a evitar a dor, o desconforto, o sofrimento, quando, se calhar, é através dele que realmente avançamos. Mais cedo ou mais tarde teremos que enfrentar aquele muro gigante que se depara à nossa frente, não é? Ele não vai desaparecer simplesmente ignorando-o.

Quero falar sobre o meu trabalho, as minhas terapias, as experiências minhas e dos meus clientes e pacientes. Quero partilhar o quão fantástico é, mas também o quão difícil por vezes é lidar com ele. Quer falar do bom e do mau, do maravilhoso e transcendente, do que mete medo e do que é duro. Quero explicar os meus medos e surpresas, as minhas frustrações e alegrias, as coisas maravilhosas e desagradáveis que existem, talvez, em qualquer profissão, mas os desafios particulares desta profissão e desta área. Comecemos talvez pelo início, e logo desde aqui começa o desafio: afinal, o que é que eu faço?

Muito directa e simplesmente posso dizer que alívio/curo as dores e sofrimentos psicológicos e físicos nas pessoas, de forma rápida, eficiente e duradoura (sem lhes tocar geralmente) e, no mínimo, bem diferente do comum ou do que é entendido e aceite convencionalmente. Talvez de uma forma que pode ser considerada “mágica”, “milagrosa” ou “transcendental” por alguns, ou “treta” e “truque” por outros (claro que estes últimos nunca as experienciaram, nem se dignaram realmente a querer explorar e perguntar – a crítica é fácil assim; mas este assunto particular pode ficar para uma outra conversa). No meio disto tudo eu sofro por não me sentir entendido. Por saber claramente o que estou a fazer, por entender de uma forma tão profunda que ultrapassa o radar de todas as pessoas que eu conheço, por saber que é algo no entanto tão natural e demonstrável que já o fiz milhares de milhares de vezes e nunca falhou. O que fazer com isto?

É óbvio que esperava um maior fascínio das pessoas, um querer saber e aprender mais, mas no entanto, e infelizmente, o que encontro com demasiada frequência é desconfiança, dúvida, medo, e uma vontade de ignorar, de “puxar para o lado”, de não querer sequer pensar ou falar mais (ou muito) nisto. Isto, sou sincero, chocou-me, pois numa sociedade, numa mentalidade, que para mim seria evoluída, haveria abertura e vontade em saber mais, com um espírito aberto e generoso, de verdadeiro fascínio, com aquela curiosidade que, felizmente, as crianças conservam, mas que nós, os adultos, infelizmente já perdemos há muito tempo, dando lugar a desconfianças e medos. Pena. Muita pena.

Sim, tenho imenso para partilhar. Um conhecimento profundo. Uma “magia” científica que acontece todos os dias, sessão a sessão, minuto a minuto de tratamento, em cada consulta. Tudo isto – ou quase tudo – passa muito para além do radar das pessoas, mesmo as que o recebem e que ficam gratas por isso. O que fica são os resultados: aquela dor que desapareceu e nunca mais voltou, a sensação de energia a passar e depois o alívio, a dor de cabeça e peso no coração desde aquele episódio traumática que agora desapareceu e nunca mais doeu, aquele incómodo de lidar com esta ou aquela situação no dia-a-dia que desde o tratamento, no terreno, desapareceu completamente. Tudo isto aconteceu e acontece todos os dias, de forma “milagrosa” ou “mágica”, mas “sshhhuu…é melhor não falar disso senão pensam que somos maluquinhos!”. É como um tesouro, um diamante que ninguém consegue ver ou apreciar mesmo estando bem em frente dos seus olhos, e assim se perde uma enorme oportunidade de vivermos todos ainda melhor, de sermos uma sociedade muito mais feliz. Porque isto parece “magia” ou “treta”, mas não é uma coisa nem outra.

Eu próprio, sendo o mais profundo dos céticos e racionais (sou um cientista, afinal, de formação e personalidade), fico ainda muitas vezes surpreendido com as evidências dos resultados e ponho-as sempre à prova. Mas não há dúvida: isto faz-se, e aquilo acontece. Não seria importante estudar e perceber melhor uma coisa tão incrivelmente maravilhosa? Uma coisa que pode realmente ajudar tanta gente e melhorar tanto uma sociedade de forma radical e exponencial? De que temos medo? É porque parece algo “invisível” (como a internet e os sinais rádio são e os usamos), vamos fazer de conta que não existe, ficar caladinhos, e a ver se a coisa “passa” sem ninguém dar por isso?…

Eu sei como funciona, e posso explicar. Não tem nada de “magia” nem misticismo nem nada. Alguém realmente de espírito aberto e científico quer ouvir? Se sim força, eu estou disponível. Já escrevi grande parte da história no meu livro Somos Seres de Luz, para quem quer começar a aprender já, e posso explicar mais.

Bom, para um começo este primeiro artigo, assumidamente imperfeito, está perfeito. É assim que se começa: fazendo, nem que seja de forma imperfeita. Imperfeição é também uma oportunidade de se ser Livre.

Abraços.

Helder

3 comentários em “Nem sei por onde começar…”

  1. O teu trabalho não é ajudar o que te acha de maluquinho existirá sempre aquele que diz que é tudo uma treta.
    O teu trabalho é ajudar aquele que teve a coragem, sim coragem de se ajudar a ele próprio. Aquele que desafia a sociedade em que vivemos e procura á cura do EU. Aquele que entende que existe algo mais para além do corpo físico.
    Eu sou a prova no meio de tantos que o teu trabalho funciona. Onde a cura acontece com uma velocidade espantosa. Onde as minhas cicatrizes foram tratadas e curadas, cicatrizes que não se vêem. Como vou conseguir explicar que funciona? Aquele que ficará curioso pela minha melhoria perguntará o outro dirá que é tudo da minha cabeça. O importante é aquele que perguntará como consegui ficar melhor e ficar espantado com o meu relato. E dizer “É espantoso, como se chama esse Sr.?

    Grande abraço Helder continua o teu belíssimo trabalho.

  2. Sempre inspirador! Muito grata pelos nossos caminhos se terem cruzado.
    Tão diferente que hoje estou, graças a este belíssimo trabalho.
    Estamos num mundo em que toda a gente tem opinião acerca de todos os assuntos, mesmo não os conhecendo ou aprofundando.
    Mas também há pessoas maravilhosas que compreendem a incompreensão do outro.
    Não estás sozinho e muitos te lêem.
    Continua por favor a partilhar conhecimento
    Beijinho

    1. 😀 Feliz com o teu contributo e partilha Andreia. Obrigado. E obrigado pela força e pelo incentivo. Sim, sabe bem partilhar, ainda mais quando sabemos que há gente que nos ouve e que aprecia. Vou querer continuar. É sempre um passo no escuro, mas a vida é isso mesmo, avançarmos para nós mesmos. Um beijinho.

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