Será que é mesmo assim como estou a pensar?!

inquiryExistem muitas e diversificadas formas de interagir com o corpo-mente (nosso ou de outra pessoa). Podemos usar métodos mentais, informacionais ou bioenergéticos. Podemos meditar, relaxar, correr, saltar, rir, brincar, desanuviar ou detrairmo-nos. Podemos usar o corpo para influenciar a mente (como trabalharmos a nossa postura ou expressão corporal) ou usar a mente para influenciar o corpo (como usarmos a nossa imaginação ou o poder da sugestão). Podemos fazer mil uma coisas, mas um dos métodos que mais gosto é a simples mas profunda identificação e disputa de crenças irracionais. São estas que constituem a base verdadeira para o nosso sofrimento, e este método vai de forma elegante e muito natural até essa mesma base.

Tive recentemente uma cliente que tinha um situação que a estava a perturbar. Tinha a ver com uma desavença no trabalho, em que dois colegas haviam entrado em conflito e aquilo incomodava-a muito de alguma forma. Segundo ela, detestava o “mau ambiente que isso gerou”, e que “só causa transtorno a toda a gente”.

Havia já trabalhado com ela sobre este assunto noutras sessões, usando o tapping e Métodos Tipo-Yuen para procurar aliviar o seu sofrimento, para procurar libertar a resistência e a reacção inconsciente e automática que ela tinha àquela situação. Embora se dissesse aliviada o certo é que passado algumas semanas voltava ao consultório ainda se queixando do mesmo. Pensava naquilo todos os dias, e não conseguia esquecer ou ver a coisa de outra forma. Quando este tipo de resistência acontece é tempo para uma abordagem diferente.

E foi aí que decidi usar o questionamento das crenças que estavam por detrás das suas reacções automáticas, e que aconteciam para além da sua vontade (ninguém se quer sentir mal ou incomodado voluntariamente, no entanto temos estas e outras reacções automáticas e inconscientes em nós, daí a importância destas técnicas!). Este é um método novo que tenho vindo a refinar e a estudar há já algum tempo, e que já tenho implementado nas minhas consultas com bons resultados.

Em que consistiu então a sessão com esta minha cliente? Em conversar simplesmente! Mas há conversas e conversas, e há-as do tipo que de facto causam grandes e boas transformações. É só uma questão de se saber o que se está a fazer, o que neste caso é simples: disputar crenças irracionais e levar a ver as coisas com maior clareza, objectividade e liberdade. Porque quase todas as crenças – se não todas – são irracionais.

Mas será que realmente o que aconteceu naquele dia afecta o ambiente geral no trabalho?”, adiantei. O importante é a pessoa realmente ponderar sobre a questão “será mesmo como eu penso que é?”. Perguntei ainda: “Será que todas as pessoas no seu trabalho ficaram afectadas por essa discussão?”. “Não”, respondeu, “realmente muitos dos meus colegas não pareceram ligar muito…”. “Então”, continuei, “voltemos à questão inicial: o que aconteceu gera mau ambiente no trabalho ou gerou-o só para si e para mais uns quantos?”.

Parece que se abre uma pequena brecha nas nuvens espessas da mente e um pouco de luz do sol passa quando a mente se apercebe de outras possiblidades que até aí simplesmente não via. Houve um pequeno suspiro da parte dela e disse: “Realmente…sim…parece-me de facto que eu fiquei um pouco mais afectada do que as outras pessoas…

Começamos assim a aperceber-nos que não estamos a ver as coisas com objectividade e racionalidade, mas que as estamos a ver de acordo com filtros e ideias muito limitadas e irracionais. “Se os outros não sofreram com essa situação como você, onde está realmente o problema: no que aconteceu ou em si própria, na sua forma de ver as coisas?”.

É verdadeiramente fantástico este processo. Parece que, no solo fértil da mente, vamos segurando e arrancando, uma a uma, as ervas daninhas, para semear no seu lugar sementes mais frutíferas. A tendência negativa da mente é evidente, e se não paramos para fazer este processo (que é amplamente facilitado pela presença de um guia competente) ela vai continuar a fazer o que sabe fazer melhor como máquina que é: agarrar-se às ideias que, acha, melhor protegem o seu organismo, por mais obsoletas e irracionais que elas sejam.

Cabe-nos a nós, à luz da nossa consciência, despertar e olhar bem para aquilo em que realmente acreditamos e aceitamos, que inconscientemente nos faz sentir tantas coisas de que não gostamos, e pôr em causa essas ideias que nos aprisionam. Perceber e ver que de facto nenhuma ideia é absoluta em si mesma, e que diferentes maneiras de olhar para as coisas levam a sensações e a maneiras de estar e de sentir completamente diferentes é libertador. Essa luz que se faz continua connosco e liberta-nos mais um boadinho…Ela é como uma semente que vai germinando nas nossas vidas.

Realmente, as diferentes formas de se ver uma mesma coisa são infinitas, e cada uma traz consigo as suas consequências. Ideias e crenças “negativas” ou irracionais limitam-nos e causam sofrimento. Vê-las como tal liberta-nos desse sofrimento. Qualquer ideia é no mínimo relativa.

Conclusão: a minha cliente, espontaneamente e sem esforço, nunca mais ruminou sobre o assunto após a nossa sessão, e isso é deveras fantástico. “Vejo tudo diferente agora”, diz.

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